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Concurso Internacional de canto Bidu Sayão Lei Rouanet
CONCURSO INTERNACIONAL DE CANTO BIDU SAYÃO nona edição que se realizará em Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, de 3 a 11 de Maio de 2009. As provas, abertas ao público, acontecerão no Teatro SESIMINAS e o Concerto de Encerramento e Premiação no Palácio das Artes, com a participação da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais.

I- Características Gerais

O Concurso Bidu Sayão foi criado em 1999 e teve sua primeira edição no ano seguinte. Consolidado, em 2009 chega à sua nona edição reconhecido como a mais relevante competição do gênero na América Latina. Dada sua credibilidade, possui uma grande cobertura de mídia espontânea em todo o Brasil nas principais editorias de cultura do país.

Seu cronograma possui três etapas distintas:
1- de Setembro de 2008 a Março de 2009 – lançamento (informações gerais, abertura de inscrições, envio de posters, regulamentos, fichas etc. para escolas, conservatórios, teatros, embaixadas, consulados no Brasil e no exterior)
2- de 15 de Março a 10 de Abril – encerramento das inscrições, pré-seleção, confirmação dos selecionados, concessão de bolsas.
3- de 3 a 10 de Maio de 2009 – “O CONCURSO”



O Concurso é Presidido pelo Sr. Cleber Papa, tem a Direção Artística de Rosana Caramaschi, e já tem os seguintes membros do júri já confirmados:
Maestro Reinaldo Censabella (Diretor Artístico do Teatro Argentino de La Plata) – Presidente do Júri, Christopher Meyer (Diretor Artístico da Dusseldorf und Duisburg Opera), Jonathan Pell (Diretor Artístico da Dallas Opera), Jorge Vaz de Carvalho (Cantor, Professor de Canto e Conselheiro da Ópera do Porto), José Carlos Xavier (Professor do Conservatório Nacional de Lisboa), Dietmar Schwarz (Diretor Artístico da Basel Oper), Maestro Luiz Aguiar (Regente de Coro e Musicólogo– Minas Gerais)

O Concurso Internacional de Canto Bidu Sayão possui três fundamentos como base de sua realização:

Comunicação
Se por um lado é necessária a atração de candidatos, de outro está em foco o marketing da própria atividade do canto divulgando sua importância e qualidade para o maior número de pessoas possível em todo o país. Como resultado prático, o Concurso recebe inscrições da maioria dos Estados Brasileiros e de vários países, difunde sua realização junto a formadores de opinião e organismos da Cultura, ratifica sua importância estratégica para o desenvolvimento no sentido mais amplo e se traduz em retorno para seus patrocinadores e apoiadores.

Relacionamento Institucional
O Concurso Bidu Sayão abre canais de Relacionamento e Posicionamento Institucional direto com formadores de opinião, entidades Governamentais e Privadas tais como Governo do Estado de Minas Gerais (um dos apoiadores do projeto), Assembléia Legislativa, Embaixadas e Consulados (em Minas Gerais são 19 Consulados), SESIMINAS, Ministério das Relações Exteriores, Teatros, Universidades, Conservatórios, Professores, Profissionais da área. Isto se dá através da Comunicação em si, de correspondências, convites.

Responsabilidade Social
Em oito edições, o Concurso Bidu Sayão recebeu 829 inscrições (em torno de 90% de brasileiros). Este é um número (750 cantores) muito interessante e revelador do quanto se estuda canto no Brasil e a quantidade de selecionados com resultados de qualidade. O Bidu Sayão é hoje um ponto de partida fundamental para quem se desenvolve nesta área,a maioria daqueles que de algum modo se destacaram nas suas edições, ora como premiados e ora como vozes de qualidade em desenvolvimento. Quem ganha o concurso, no mínino tem condições de pagar mais aulas, uma passagem para o exterior e estudar fora, consegue entrar em outros concursos já referenciado, tem renda gerada por recitais na sua cidade, apoios e patrocínios de organismos dentro da sua realidade etc.
A Missão do Concurso é estimular o aprendizado de Música Erudita e Canto, sendo este o ponto de partida para a profissionalização efetiva em várias áreas. A função social do Canto é explícita na sua convergência com outras áreas (o teatro, cinema, indústria dos musicais, televisão, música popular etc.), na capacidade de gerar entretenimento de qualidade; Sua abrangência é incomensurável, mas perceptível na medida em que observamos a globalização da cultura e processos de inclusão cultural através da educação e outros estímulos que se tornam mais valorizados no Brasil. Sob esta ótica, o Bidu Sayão é hoje o único instrumento confiável de reconhecimento público desta atividade no país.

B
iografia

Dona de uma voz límpida e delicada, a soprano brasileira Bidu Sayão foi uma das mais respeitadas artistas do Metropolitan Opera de Nova York. Seu prestígio pode ser observado no próprio hall do teatro, que ostenta um imenso quadro em sua homenagem. Ao longo de sua carreira, conviveu e trabalhou com as maiores personalidades artísticas deste século, como o maestro Arturo Toscanini, um de seus grandes admiradores - ele a chamava de "la piccola brasiliana" -, Maria Callas, a pianista Guiomar Novaes e Carmem Miranda.
Além disso, foi a parceira favorita de Villa-Lobos, numa carreira que durou 38 anos. Nesse período, emprestou sua voz e imortalizou a Bachiana n.º 5, das Bachianas Brasileiras, as peças mais conhecidas e mais amadas do compositor. Esta, que foi considerada pelo maestro como a mais perfeita gravação da obra, foi escolhida para o prêmio Hall of Fame, dado pela National Academy of Recording Arts and Sciences. Clássico brasileiro mais conhecido no mundo, por dois anos seguidos foi o disco mais vendido nos Estados Unidos. Bidu Sayão iniciou seus estudos musicais no Rio de Janeiro e aos 18 anos fez sua estréia no Teatro Municipal da cidade. Iniciou sua carreira internacional na Romênia, e aperfeiçoou seu canto em Nice, na França, com Jean de Reszke, o mais famoso professor da época, adquirindo a técnica perfeita e a delicadeza que viriam a caracterizá-la. Em Roma, cidade que a viu nascer para o teatro lírico, foi surpreendida por um convite para que abrisse a temporada do Teatro Constanzi. Sua interpretação de Rosina em O Barbeiro de Sevilha, de Rossini, foi feita de forma tão admirável que lhe rendeu a entrada definitiva no rol dos grandes intérpretes líricos da Europa. Em 1925, de volta ao Brasil, cantou novamente O Barbeiro de Sevilha antes de inaugurar outra temporada do Teatro Constanzi. Depois disso, atuou nos mais importantes teatros do Velho Mundo, como o Teatro Nacional São Carlos, em Portugal, Teatro Opera Comique de Paris e o Alla Scala de Milão, por exemplo. Excelente atriz, sua força interpretativa garantiu-lhe viver 22 heroínas diferentes, entre elas, Ceci (O Guarani, Carlos Gomes), Gilda (Rigoletto, Verdi), Mimi (La Bohéme, Puccini), Suzana (Bodas de Fígaro, Mozart) e Violeta (La Traviata, Verdi).

Em 1936, a soprano brasileira Bidu Sayão fez sua grande estréia para o público norte-americano, cantando La Demoiselle Élue, de Debussy, em apresentação regida pelo maestro Toscanini no Carnegie Hall, em Nova York. Em 1937, estreou no Metropolitan Opera House de Nova York (onde foi grande figura por mais de 15 anos), cantando o papel título da ópera Manon, de Jules Massenet. O volume de convites que recebeu para cantar, na época, fez com que interpretasse 12 papéis diferentes em 13 temporadas. Em fevereiro de 1938, cantou para o casal Roosevelt na Casa Branca. Na ocasião, o presidente chegou a oferecer-lhe a cidadania americana - rejeitada na hora por Bidu, que sempre cultivou o sonho de terminar a carreira e a vida como brasileira.

Encantados com Bidu Sayão, os americanos não a deixaram partir. Continuou a dar concertos através de todo o país, sempre colhendo triunfos, sendo, por isso, chamada pelos americanos de "The Charming Singer". Em agosto de 1955, obteve um de seus maiores sucessos cantando no Hollywood Bowl. Com a Calgary Symphony Orchestra, foi chamada de "Glamorous Soprano Star". Entre idas e vindas, o "Rouxinol Brasileiro" - apelido que ganhou do escritor Mário de Andrade - apresentou-se diversas vezes em palcos nacionais. Esteve no Rio de Janeiro em 1926, 1933, 1935 e 1936. Em São Paulo, apresentou-se nos anos de 1926, 1933, 1935, 1936, 1937, 1939, 1940 e 1946. Durante essas temporadas, cantou O Barbeiro de Sevilha, Rigoletto, Matrimônio Secreto, Um Caso Singular, Soror Madalena, O Guarani, Manon, Romeu e Julieta, I Puritani, La Traviata, La Bohéme e Lakmé.

Em 1957, Bidu Sayão decidiu encerrar sua carreira artística. Com a mesma La Demosele Élue com que entrou nos Estados Unidos, ela encerrou a carreira em 1958, ainda em perfeita forma e recebendo as maiores homenagens e melhores críticas dos jornais. Em 1959, mais de um ano após ter encerrado a carreira nos palcos e em público, fez uma gravação da Floresta Amazônica, de Villa-Lobos, atendendo ao pedido do compositor. Com ela, Bidu Sayão encerrou definitivamente a carreira, definindo este último trabalho com seu "canto do cisne".

Em 1995 veio ao Rio de Janeiro para ser homenageada pelo enredo da escola de samba Beija-Flor. Antes de ir embora, não escondeu sua vontade de retornar ao Brasil. Bidu Sayão morreu em 1999, aos 96 anos, no Estado do Maine, local onde viveu durante a maior parte do tempo, nos Estados Unidos. Seu maior desejo era visitar o Brasil pela última vez. Sonhava em ver a Baía de Guanabara antes de morrer e planejava isto para celebrar seu centenário. Após uma longa vida repleta de glórias e triunfos, a cantora não conseguiu realizar esse último desejo.


Criado em 10/03/2009.
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